terça-feira, 30 de setembro de 2008

O amor de quem ama!

A intensidade de um amor pode ser medida?
Existe uma espécie de escala dos sentimentos?
Cada vez mais me espanto com a quantidade de coisas que existem e que não fazemos a mínima idéia de que é possível.
Me dediquei durante muito tempo a estudar Jacques Brel e sua imortal "Ne me quitte pas". Ele a escreveu para sua espeosa que havia acabado de deixá-lo. Meu Deus! Quanta paixão, quanto sofrimento, quanto desespero, quanto amor!!! Perguntei para várias pessoas se era mesmo possível amar daquela forma. A maioria disse que não e que aquilo era doença.

Como assim? Como "doença"?

Me pergunto: é melhor então morrer doente de solidão? É melhor nunca saber o que é o amor? Ou podemos amar desesperadamente?

Em muitos momentos Brel usa as palavras de forma tão intensa que chego a sentir sua dor.

Imaginem que ele oferece pra ela, caso ela não o deixe, "pérolas de chuva vinda de países onde já não chove".
Por ela ele vai "escavar a terra, escapar da morte só pra cobrir o corpo dela de ouro e de luz"

E quando ele diz que vai contar a ela a história de um rei que morreu por não ter podido conhecê-la!?

Ele ainda conta com a restauração do que estaria destruído: " há quem fale de terras queimadas a produzir mais trigo que o melhor abril"

E uma das partes que eu mais gosto é quando ele diz a ela: "eu te inventarei palavras absurdas que você compreenderá".
Ele fala da linguagem dos amantes, aquela linguagem construída a dois e que ninguém, além deles, compreende. Isso só é possível com amor!

Quem somos nós para dizer que ele é um doente e que seu amor é patológico?
Eu penso que é um amor tão grande, mas tão grande que ao vê-la partindo ele não pensou em mais nada a não ser em derramar-lhe o coração e entregar-lhe a alma!
Só se faz isso por amor... só por um grande amor!!!
Vi um filme... Chorei muito!
Não entederam o por que.
Não entenderam que meu choro era por ter quem amar

E tem gente que nunca teve alguém.
Todos ficam mudos, me olhando, me analisando, tentando me entender.
Mas o mundo não entende completamente a tempestade dentro da gente
E tudo o que acontece dentro de nós antes de rolar as lágrimas!
Não são capazes de alcançar... nunca alcançarão
Sim, as lágrimas são as últimas a saírem
E só outro de mim compreende.
A lágrima é o ponto final dos sentimentos!
Vem quando todos os muros foram rompidos
Quando já aconteceu tudo e nada mais resta. Então ela sai!
É o que eu chamo de me entregar a Deus.
Dá um vazio intenso......e eu me entrego
Então recupero todas as forças de novo!
Porque não é da minha natureza me deixar levar sem lutar.
Luto chorando.. mas luto!


( Sobre lágrimas e sentimentos, por Rayne e Marcia)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Futilidade necessária?

Secret Garden - The girl i mean to be

"Eu preciso de um lugar aonde eu possa me esconder
Aonde ninguém veja minha vida por dentro
Aonde eu possa fazer meus planos, e escrevê-los
Então eu poderei lê-los.
Eu preciso de um lugar para aproveitar o dia
Onde ninguém me peça para ir embora ou para ficar
Onde eu possa pegar minha caneta e desenhar a garota que eu gostaria de ser."


Dizer que não gostaria de ser diferente não seria verdade!
Acho que sempre podemos mudar algo e melhorar.
Ontem eu fiz algo que jamais imaginei que faria: fui à uma esteticista! Achei o máximo!!! Era algo que eu via as outras pessoas fazerem e não via sentido. Eu achava que era uma perda do meu temo, um culto à um corpo perecível. Uma escravidão à ditadura da beleza globalizada!
Até que... me olhei no espelho.
Vi manchas do tempo e da idade em meu rosto e elas me incomodaram. Me incomodaram tanto que fui à uma esteticista!
Consegui um feito histórico, digno de registro: fiquei mais de 2 horas deitada em um só lugar enquanto ela mexia em meu rosto. Tirava e colocava coisas e mais coisas... Não fiquei totalmente parada, isso seria pedir demais, mas fiquei deitada lá!!!
E gostei!
Gostei da sensação de cuidadar de mim. Me senti mais próxima de mim de uma outra forma. Eu estava cuidando da parte de fora de mim. Eu, que só me dedicava a alimentar o cérebro, a mente... estava agora cuidando do exterior.
Gostei sim... confesso! Fui fútil e superficial uma vez na minha vida!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Cá com meus botões...

Eu estava pensando cá com meus botões que eu sempre gostei dessa expressão "cá com meus botões", rsrs. Não sei a origem dessa expressão, não pesquisei, mas sempre imagino um homem português, de bigodes finos e óculos pequenos e redondos falando assim. E claro que suas roupas com muitos botões.

As palavras são literais pra mim. Todas ganham o real significado na minha mente. Portanto não entendo expressões assim. É só elas serem ditas que me ponho a analisá-las e descubro que, em geral, a maioria não tem sentido. Não mesmo!

Botões são objetos, logo, não pensam! Por outro lado não dá pra tirar os botões das roupas toda vez que vai pensar então TEMOS que pensar com os botões, lógico!!! O fato é: o que ele quer dizer quando diz isso? Seria muito mais fácil dizer apenas "eu estava pensando...". Afinal se estava com ou sem botões pouco importa. O que importa é o pensamento em si.

Em relação às expressões prefiro não usá-las! Não as compreendo e se vou decifrá-las... aff! Que trabalheira pra, no final, descobrir que a grande maioria é dispensável!

sábado, 20 de setembro de 2008

A verdade!

Nunca gostei de ser feita de boba. Não gosto que subestimem minha inteligência.
É o mesmo que dizer que um copo com água, que está na sua mão, é na verdade um cachorro. E dizem isso com tanta certeza... e se você não acreditar você é a chata, a enjoada, a incompreensiva... Que absurdo!!!
Nunca gostei disso. Prefiro que digam "esse assunto é particular" ou "não quero falar sobre isso" ou até mesmo "isso não é da sua conta", do que ficarem inventando desculpas esfarrapadas para justificar aquela frase que eu ouvi e não deveria ter ouvido ou a cena que eu vi e que não deveria ter visto.Tentam me convencer que eu não ouvi ou não vi algo... algo muito claro!!!!

Existem coisas óbvias, das quais não se podem inventar outras. Não faria sentido algum. Então.... não é bem melhor ser honesto? Ser claro?

Eu sou! E Não sou bem aceita por isso. Então é melhor fazer a pessoa de boba? É melhor agir como se ela fosse desprovida de inteligência? As pessoas "normais" gostam disso?

Sei lá... eu não gosto! Por isso devo mesmo ser estranha!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Fale de menos!!!

O que mais me incomodava quando eu era criança era não conseguir dizer o que se passava dentro de mim. Eu não sabia (como ainda não sei) sintetizar! É muito triste você querer dizer algo e os adultos só saberem te dizer: Fala logo! Não enrola! Você fala de mais! Você é muito chata!

Eu não conseguia falar "de menos"!

Eu achava que TODAS as informações contidas na minha conversa eram importantes. E se eu não conseguisse dizer EXATAMENTE o que eu queria? E se ficasse algum mal-entendido? Eu era capaz de ficar dias angustiada se percebesse que esqueci de dizer algo em algum momento qualquer.

E como eu gosto de palavras! E como gosto de gostar de palavras!

Quando leio eu posso imaginar as palavras como um tapete voador! Tem uma foto que eu a-do-ro de algumas crianças viajando em um livro aberto, como o meu tapete de palavras!

Alguém disse que os olhos são as janelas da alma! Eu me atrevo a acrescentar que as palavras também são! E Como eu gosto de ler o que pessoas queridas me escrevem! Tenho a sensação de que estou lendo a alma da pessoa, os sentimentos dela.

E como eu queria que alguém me lesse! Eu tentava... Então eu falava... falava... falava... mas, por muitos anos, ninguém de fato me ouviu!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Uma infância de imagens!

Minha infância pode ser dividida em duas partes que transcorreram simultâneamente: dentro de mim e fora de mim. Meu interior e meu exterior. O que só eu pensava e o que os outros achavam que eu pensava.
As coisas aconteciam e eu sentia que o meu ponto de vista era igual ao de ninguém. Eu enxergava o mundo de maneira diferente embora fosse ensinada a enxergar de maneira igual. "As coisas são assim!". Eu achava interessante meu pai me dizer:

__ Eu te conheço!

Não! Não conhecia... achava que sim, mas estava longe de saber como minha mente estava funcionando.

Sempre pensei por imagens, sempre precisei delas. Sem as imagens nada fazia sentido. Então, o que era abstrato tinha que ter uma imagem criada por mim. Só assim eu entendia o conceito.
E eu uso essas imagens até hoje! Caso contrário me perco no conceito.

Por exemplo: para ter a noção de quanto é uma hora e em que parte dessa hora eu estou e quanto dessa hora ainda me resta eu preciso usar a minha imagem que eu criei de uma hora. Nela eu identifico onde estou e então eu vejo quanto tempo me resta.

Faço assim com o dia, a semana, o mês e o ano! Cada espaço de tempo tem uma imagem que eu construí, uma espécie de calendário (mas que em nada lembra um calendário comum) que eu utilizo pra ter noção de quanto tempo se passou e quanto ainda me resta.

E ninguém... ninguém mesmo sabia disso. Só eu!

Então!!!

Então! Pra mim é muito difícil começar algo... pra mim essa dificuldade sempre existiu. Muitas vezes tenho em mente todo o trabalho, pronto, acabado e revisado. Mas não consigo começá-lo. Tenho em andamento 3 livros e eles não saem da minha mente para o papel porque não sei como começar. Já escrevi outros 3, mas alguém teve que fazer a introdução pra mim.
Queria ter um blog há muito muito muito tempo e, só hoje, é que comecei...

Existem palavras chaves para se começar uma conversa. Não são palavras-chaves universais... são minhas e eu as uso sempre que necessário pois, às vezes, sou obrigada a iniciar uma conversa.
Eu utilizo muito: "então". Só que se formos analizar não faz sentido algum começar uma conversa com essa palavra!!! Nada foi dito! "Então" o que? Preciso melhorar isso antes que alguém me faça essa pergunta um dia.