quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Uma infância de imagens!

Minha infância pode ser dividida em duas partes que transcorreram simultâneamente: dentro de mim e fora de mim. Meu interior e meu exterior. O que só eu pensava e o que os outros achavam que eu pensava.
As coisas aconteciam e eu sentia que o meu ponto de vista era igual ao de ninguém. Eu enxergava o mundo de maneira diferente embora fosse ensinada a enxergar de maneira igual. "As coisas são assim!". Eu achava interessante meu pai me dizer:

__ Eu te conheço!

Não! Não conhecia... achava que sim, mas estava longe de saber como minha mente estava funcionando.

Sempre pensei por imagens, sempre precisei delas. Sem as imagens nada fazia sentido. Então, o que era abstrato tinha que ter uma imagem criada por mim. Só assim eu entendia o conceito.
E eu uso essas imagens até hoje! Caso contrário me perco no conceito.

Por exemplo: para ter a noção de quanto é uma hora e em que parte dessa hora eu estou e quanto dessa hora ainda me resta eu preciso usar a minha imagem que eu criei de uma hora. Nela eu identifico onde estou e então eu vejo quanto tempo me resta.

Faço assim com o dia, a semana, o mês e o ano! Cada espaço de tempo tem uma imagem que eu construí, uma espécie de calendário (mas que em nada lembra um calendário comum) que eu utilizo pra ter noção de quanto tempo se passou e quanto ainda me resta.

E ninguém... ninguém mesmo sabia disso. Só eu!

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